O que ocorre duas vezes por semana uma vez por ano mas nunca durante o dia?

Sábado, 31/10/2015, às 06:00,

BIMENSAL ou BIMESTRAL?
Imagine que você esteja lendo a previsão do tempo e se depare com a informação:
“A Lua Cheia será BIMENSAL.”
Antes de achar que nosso satélite saiu da órbita ou que os meteorologistas estão no mundo da Lua, pense um pouco e responda: você sabe a diferença entre BIMENSAL e BIMESTRAL?
São palavras semelhantes, mas de significados diferentes:
BIMENSAL é tudo que ocorre DUAS VEZES NO MÊS.
BIMESTRAL é tudo que ocorre DE DOIS EM DOIS MESES.
Algumas empresas, por exemplo, depositam parte dos salários no dia 1º e a outra metade no dia 15, portanto é um pagamento BIMENSAL. Já as provas nas faculdades costumam ser aplicadas a cada dois meses, portanto são provas BIMESTRAIS.
A informação meteorológica de que falamos no início, portanto, não tem nada de errado. Embora raramente, a Lua Cheia pode, sim, ocorrer duas vezes no mesmo mês. Mas de dois em dois meses, só se for na ficção científica.

AO INVÉS ou EM VEZ DE?
É correto dizer “AO INVÉS de ir à padaria, foi ao mercado”?
Errado não é, mas...
Esse AO INVÉS virou palavra curinga. Serve para tudo.
Muitos estudiosos já aceitam a frase "AO INVÉS DE ir à padaria, foi ao mercado".
Mas é bom lembrar que a expressão AO INVÉS DE significa "ao contrário de", e só poderia ser usada no caso de trocas entre coisas opostas:
“Entrou à direita ao invés de entrar à esquerda.” (Direita é o oposto de esquerda)
“Subiu ao invés de descer.” (Subir é o oposto de descer.)
Já naquela nossa frase de exemplo, mercado nunca foi oposto de padaria. Nesses casos, e sempre que houver dúvida, use EM VEZ DE, que serve tanto para coisas opostas quanto para não opostas. Veja os exemplos: “EM VEZ DE ir à padaria, foi ao mercado.”
“Subiu EM VEZ DE descer.”“Entrou à direita EM VEZ DE entrar à esquerda.”
Sem discutir certo ou errado, sugiro que só usemos AO INVÉS DE quando a substituição for entre opostos. E podemos usar EM VEZ DE para qualquer tipo de substituição (opostos ou não). Assim sendo, na dúvida, use sempre EM VEZ DE.

Ao persistirem os sintomas???
Esta frase aparece com muita frequência na televisão, em anúncios de remédios: AO PERSISTIREM os sintomas, um médico deverá ser consultado.
Será que está correta? O que mudaria se a agência publicitária usasse A PERSISTIREM, em vez de AO PERSISTIREM?
Quando diz AO PERSISTIREM, o comercial está praticamente afirmando que os sintomas persistirão, pois AO PERSISTIREM significa QUANDO PERSISTIREM. Compare:
“Ao SOAR O APITO FINAL, os jogadores trocaram camisas.” (Ou seja: QUANDO SOOU o apito final, os jogadores trocaram camisas.)
Agora, veja a diferença:
“A CONTINUAR ESSA VENTANIA, vai chover mais tarde.”
Percebeu? A pequena mudança do AO para A fez muita diferença. A CONTINUAR ESSA VENTANIA significa SE CONTINUAR ESSA VENTANIA.
Certamente, a intenção do redator daquele anúncio imaginou essa hipótese: SE PERSISTIREM OS SINTOMAS, ou SE OS SINTOMAS PERSISTIREM, consulte um médico.
Deveria ter escrito, portanto: A PERSISTIREM OS SINTOMAS, e não "ao persistirem".

ROLÊ ou RULÊ?
Chega o inverno, é hora de tirar as blusas do armário, todas cheirando a naftalina.
Uma das roupas mais comuns nessa época é a blusa com aquela gola que se enrola no pescoço – como se chama mesmo? Gola ROLÊ ou RULÊ?
A palavra veio do francês roulé, que significa "enrolado". Em português, ficou RULÊ, com U.
E aquele bife recheado, geralmente amarrado com uma linha ou preso por palitos: bife ROLÊ ou RULÊ?
Curiosamente, o bife é ROLÊ, com O, muito embora a origem da palavra seja a mesma.
Às vezes essa nossa língua é "enrolada", não é mesmo?

Sabe-se que o ano tem duração de 365 dias e os meses têm 30 ou 31 dias, sendo somente fevereiro com 28. Mas, de 4 em 4 anos, ocorre um ano bissexto, com 366 dias de duração (um dia a mais em fevereiro). Afinal, por que isso acontece?

O ano bissexto ocorre para ajustar o ano civil, que tem duração de 365 dias, com o ano solar, associado ao movimento de translação da Terra ao redor do Sol. O tempo que a Terra gasta para sair de uma posição de sua órbita e voltar novamente para este mesmo lugar é de 365,242189 dias, ou 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 48 segundos, aproximadamente.  Portanto, esta é a duração de um ano solar, diferente do ano civil.

Para entender a origem dos anos bissextos, é interessante saber algumas características dos primeiros calendários utilizados no império romano e que influenciaram decisivamente nossa contagem atual de tempo.

Primeiros calendários romanos

Rômulo, o fundador de Roma, dividiu o ano em 304 dias, agrupados nos 10 meses correspondentes aos ciclos lunares, contados a partir do dia do equinócio de primavera no hemisfério norte. Eram excluídos do calendário os dias entre o fim do ano do calendário romano vigente e o próximo equinócio de primavera que iniciaria o novo ano. Seu sucessor, Numa Pompílio, criou um novo calendário dividido em 355 dias, agrupados em 12 meses, mas a cada 2 anos era necessário adicionar um mês de 22 ou 23 dias na contagem do ano, para que o ano marcado no calendário coincidisse com o ano solar. 

Calendário juliano/agostiniano

Em 45 a.C., o astrônomo Sosígenes foi convocado por Júlio César para transformar o calendário romano em um calendário solar, alinhado pelas estações do ano, à semelhança do calendário egípcio já então em vigor.  

Ele estabeleceu o chamado ano comum, com 365 dias divididos em 12 meses, alguns com 30 dias e outros com 31, de forma que em cada mês pudessem ser observadas as 4 fases da Lua. Além disso, acrescentou 1 dia de 3 em 3 anos, após 25 de fevereiro, criando assim o ano bissexto

O erro da inserção de anos bissextos de a cada três anos em vez de quatro foi detectado cerca de trinta anos mais tarde. Julga-se que este erro tenha sido corrigido pela supressão de anos bissextos no período entre 12 a. C. e 3 d. C. Em 8 d.C., Augusto, que sucedeu Júlio César, fez algumas mudanças e a partir deste ano o dia extra era acrescentado após o dia 24 de fevereiro, de quatro em quatro anos, como um duplo dia 24. 

Calendário gregoriano

Em 1582, o Papa Gregório reorganizou as datas e mudou o dia bissexto, que era 24 de fevereiro, para o dia 29 de fevereiro. Com o apoio do astrônomo Christopher Clavius, o papa ainda determinou que o dia posterior a 4 de outubro de 1582 fosse 15 de outubro, para diminuir a diferença de 11 dias que havia sido gerada desde o período juliano. Alguns chamam os dias adicionados entre estas datas de “dias que nunca existiram”. O calendário gregoriano é usado até hoje na maior parte do planeta, mas há exceções, como os cristãos ortodoxos, que não seguiram a igreja do ocidente e permaneceram com o calendário juliano/agostiniano, que acumula atualmente uma diferença de 13 dias em relação ao gregoriano. 

Por que é importante termos anos bissextos? 

Se não fossem consideradas as 6 horas a mais que a Terra gasta para completar a volta ao redor do Sol em cada ano, em 372 anos, nós teríamos um atraso de 3 meses entre o ano solar e o ano civil. No que isso implica? 

Sabemos que, dependendo da posição que a Terra está em relação ao Sol, um hemisfério estará recebendo mais, menos ou igual intensidade da luz solar, e isto define as estações do ano em épocas e hemisférios diferentes. 

Sem os anos bissextos, após 372 anos, mesmo estando nosso calendário civil na data de junho, por exemplo, a Terra ainda estaria na posição que indica o mês de março no ano solar. Com isso, nós do hemisfério sul não estaríamos recebendo a quantidade de luz que causa o inverno, mas sim a que causa o outono. O mesmo aconteceria no norte: enquanto o calendário estivesse marcando o verão, eles estariam recebendo a quantidade de luz que define a primavera. 

Quanto mais passassem os anos, mais essa disparidade ficaria evidente e mais difícil seria determinar as estações, pois elas começariam em datas muito diferentes. Assim, o ano bissexto é essencial para que o ciclo das estações do ano esteja bem definido. 

Como saber se um ano é bissexto

Para saber se um ano será bissexto, basta que ele seja divisível por 4. O ano de 2020, por exemplo, é divisível por 4, logo, é bissexto. Mas, para anos centenários (1900, por exemplo) a regra é que ele seja divisível por 400.

Anos bissextos no Sistema Solar

Um fato interessante é que outros planetas também têm anos bissextos, já que esses anos dependem da órbita que cada um faz ao redor do Sol e ao redor de si mesmos, e esses movimentos não são perfeitamente sincronizados. Pensando dessa forma, vemos que Marte, por exemplo, têm mais anos bissextos do que anos regulares, visto que 1 ano em Marte tem duração de 668 dias marcianos, mas Marte gasta 668,8 dias marcianos para dar uma volta no Sol. Dessa forma, em 10 anos, Marte tem 4 anos com 668 dias e 6 anos com 669.

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[Texto de autoria de Letícia Rioga, estagiária do Núcleo de Astronomia]

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